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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Fios de Prata - Reconstruindo Sandman - O Inverno das Fadas - Resenha


Fios de Prata – Reconstruindo Sandman
Autor: Draccon, Raphael
Editora: Leya


Sinopse:

Mikael Santiago realizou o sonho de milhares de garotos. Aos 22 anos era o jogador brasileiro com o passe mais caro da história do futebol. Para muitos ele era um mito. Mas à noite seus sonhos o amedrontavam. Às vezes, o que está por trás de um simples sonho - ou pesadelo - é muito maior do que um desejo inconsciente. Há séculos, Madelein, atual madrinha das nove filhas de Zeus, tornou-se senhora de um condado no Sonhar, responsável por estimular os sonhos despertos dos mortais.

Uma jogada ambiciosa que acaba por iniciar uma guerra épica envolvendo os três deuses Morpheus, Phantasos e Phobetor, traz desordem a todo o planeta Terra e ameaça os fios de prata de mais de sete bilhões de sonhadores terrestres. Envolvido em meio a sonhos lúcidos e viagens astrais perigosas, a busca de Mikael pelo espírito da mulher amada, entretanto, torna-se peça fundamental em meio a uma guerra onírica. E coloca a prova sua promessa de ir até o inferno por sua amada.

Resenha:

Quando uma história contém elementos como espíritos, deuses, seres humanos, seres imaginários, guerras e romance, acredito que tudo e todos esses elementos devem ser muito bem especificados e esclarecidos da melhor maneira possível, para que o leitor não se perca na realidade e na fantasia que o autor quer diferenciar com sua narrativa.

E foi exatamente isso que Raphael Draccon fez em sua obra.

Com tantos nomes estranhos de deuses diferentes e em patamares alternados há de se esperar que haja confusão na distinção de quem é o maior e mais poderoso, e quem é o subalterno, mas em Fios de Prata esse fato não acontece. Sem a repetição de esclarecimentos, o autor consegue se fazer entender dentro da característica de cada personagem, e, ainda mostrar o grau de importância de cada um durante toda a história.

Não foi fácil guardar os nomes dos deuses, talvez por minha falta mais aprimorada desse conhecimento ou talvez pela semelhança entre eles, senti um pouco de dificuldade em “enxergar” o condado de cada um, mas a grandiosidade de suas descrições físicas e comportamentais ajudou bastante. Gosto muito de descrições detalhadas, quanto mais, a meu ver, melhor! E Raphael nesse aspecto é “Mestre dos Magos”!.

Adorei a referência a personalidades do nosso país, aos heróis palpáveis que conhecemos e mais ainda a inclusão de fatos verídicos mesclados com o desenrolar da batalha, levando-nos a quase realmente crer que os motivos pelas barbáries cometidas, tinham sim a influencia de uma força maior, e, não somente elas, mas também os atos de bondade, que, faça justiça, também estão presentes.

Não sei se consegui acreditar muito no amor instantâneo de Allejo (Mikael) e Ariana, acho que faltou um pouco mais de açúcar nesse tempero, mas em contrapartida, a guerra entre os irmãos, Deuses menores, me encantou a ponto de ler, e, reler o capitulo mais de uma vez.

Quanto à capa do livro, confesso que de primeira impressão não gostei muito, mas olhando agora, depois de ler, estou apaixonada por ela! Agora eu a entendo! Então ouso dizer que dos lançamentos nacionais desse ano, aos quais tive acesso, a capa de Fios de Prata é um enigma lindo que só conseguimos solucionar ao terminar de devorar a leitura.

Não gostei do uso de reticências para demonstrar o silêncio entre os personagens da história, achei estranho, acho que prefiro a palavra silêncio e ponto!

Mas para quem ama Tolkien, e, está se tornando apaixonada por George R. R. Martin, Raphael Draccon é um doce sopro de esperança de que a nossa literatura, Brasileira da Gema, pode sim se equiparar aos grandes nomes estrangeiros. Nossos escritores estão cada vez mais inspirados e nos presenteando com obras tão bem trançadas e arquitetadas, que nos prende do início ao final, que não deixa nenhuma ponta solta, e que nos inspira a acreditar ainda mais, em “nossos” autores.

Bom, devo dizer que apesar de minhas orações antes do dormir e dos mantras que costumo cantar mentalmente, esperando o sono chegar, precisei adicionar um novo pedido ao Papai do Céu: Que meu espírito esteja com Phantasos quando eu adormecer e sonhar, e se, isso não for possível que me seja permitida então, a convivência no condado de Lady Madelein... Até quando eu dormir...


Lu. Franzin




*Nota. - Todas as resenhas expostas nesse blog são de minha autoria e responsabilidade, elas expressam a “minha” opinião pessoal a respeito dos livros lidos. Não é meu interesse denegrir a imagem de nenhum autor, e nem influenciar os novos leitores de maneira negativa ou positiva a adquirirem ou se absterem de alguma obra.

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