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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Ler por quê? - Artigo


Ler por quê?

Talvez nunca haja uma resposta exata ou precisa para essa pergunta, mas uma coisa é verdade irrefutável: a leitura é algo essencial na vida de qualquer ser humano, tal qual a água é para saciar a sede, o alimento é para nutrir o corpo e o ar é para manter-se vivo.

Acredito que o ato, a tarefa e o impulso compulsório de ler possuem três definições principais: ler para aprender; ler para informar e ler para propagar. Entre muitos outros adjetivos que poderíamos atribuir à ação da leitura, esses são os mais abrangentes dentro da finalidade a qual se propõe esse ensinamento básico, e, que nunca deixará de ser proclamado.

Ler para aprender instiga desde o nascimento do ser humano, a descobrir o mundo através das historias já contadas e já escritas em símbolos, desenhos e imagens e muitas outras formas de expressão. Aprender a ler é como ascender uma luz em um quarto escuro, mostrando que além da existência do negror profundo e pungente do ambiente, existem as formas dos móveis, as texturas e as cores presentes em cada pedaço daquele pequeno cômodo.

Ler para informar é mostrar os detalhes de cada imagem que chega aos olhos, engrandecendo o histórico de informações daquele que busca um conhecimento especifico a respeito de certo assunto, pautado na leitura do que já foi documentado. Como poderia o ser humano fazer novas descobertas, criar novos conceitos e aprimorar o que já existe, se não houvesse uma referência detalhada e ao acesso de suas mãos? Como avançaria ele na tecnologia, na medicina, nas viagens ao espaço e no descobrimento de si mesmo se não existisse um exemplo já testado, avaliado e conhecido dentro de livros ou na tela de um computador? E principalmente, como ele poderia repassar as informações a outros curiosos e aspirantes desejosos de se aventurar também no universo das novas descobertas, se ainda estivesse dando o primeiro passo no processo de evolução? A informação é baseada primordialmente na leitura, isso é fato incontestável!

Ler para propagar é onde a leitura mais me aquece a alma. Mas nessa ultima definição de leitura, não sou “eu” quem propaga nada! Quem faz isso é o ser iluminado a que chamamos escritor (pois creio, que qualquer individuo que se disponha ao trabalho de unir palavras, independente do contexto ou tamanho da informação que ele quer transmitir é sim um escritor!) que decidiu expressar suas opiniões, suas ambições, seu sonhos, suas descobertas, suas angustias e suas alegrias, sua pratica e sua teoria e dividir com os demais seres de sua mesma espécie o ideal que tange e norteia sua forma de expressar.

É ele o Escritor que me carrega em seus braços para mundos onde a fantasia me abraça efusivamente e engrandece meu espírito. Faz-me sonhar e imaginar-me parte do seu sonho minuciosamente detalhado entre conceitos, hipóteses e teorias. É ele quem me eleva entre glórias e derrotas, entre encontros e desencontros e entre tantas outras situações, entre sentimentos e descobrimentos que talvez minha mente crua jamais fosse capaz de descobrir.

Ao lado do real e do imaginário, da verdade e da ficção meu conhecimento cresce a passos ora urgentes, ora cadenciados acompanhando a velocidade da minha ânsia de leitura, incapaz de ser saciada em algum momento.

Quem lê aprende, se informa e se torna instrumento da propagação.

Ler é uma dádiva divina.

Ler é viajar, é sonhar, é arte pura e sublime.


Lu. Franzin


*Nota. - Todas as resenhas expostas nesse blog são de minha autoria e responsabilidade, elas expressam a “minha” opinião pessoal a respeito dos livros lidos. Não é meu interesse denegrir a imagem de nenhum autor, e nem influenciar os novos leitores de maneira negativa ou positiva a adquirirem ou se absterem de alguma obra.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Uma herança de amor - Resenha


Uma herança de amor: Quando o fim pode ser o começo.
Autor: Lycia Barros
Editora: Ágape

Sinopse:


Amanda é uma jovem de 23 anos que foi criada pela avó materna, vivendo no Rio de janeiro, e que passou a vida com uma grande lacuna em relação à lembrança dos pais. Devido a esse hiato de memória, ela atravessou um período de revolta na adolescência, onde trouxe grandes aborrecimentos a sua tutora, que infelizmente acabara de falecer, devido a um súbito câncer. Em seu testamento, a avó pede que Amanda encontre-se com a mãe e permaneça ao lado dela durante trinta dias antes que tome posse de sua herança. E, em homenagem a figura materna que a mesma representou, muito a contra gosto, a neta a obedece. Porém, a única coisa que Amanda sabe sobre a mãe, é que ela era uma alcoólatra e que por isso passou muito tempo vivendo em uma clínica de recuperação. Sobre o pai, Amanda só sabe que o mesmo está morto.

Nesse reencontro turbulento, muitas coisas irão acontecer. Em choque, Amanda reencontrará sua mãe recuperada, morando no pequeno município de São Lourenço e vivendo com sua nova família. Profundamente magoada, Amanda desejará descobrir por que nunca foi procurada por ela. E, para piorar, se apaixonará por um homem que poderá mudar todos os planos que ela havia traçado.

Será que Amanda conseguirá conhecer o poder libertador do perdão?

Resenha:


No mundo globalizado que vivemos hoje, onde as relações pessoais e profissionais estão cada vez mais dependentes da internet e das mídias eletrônicas, muitos valores primordiais acabaram por se perder entre dados, fibras óticas e ondas de transmissão.

Esquecemos que o amor, o perdão, a compaixão, o respeito, a tolerância e principalmente a união familiar são valores que deveriam ser seguidos e, principalmente, ensinados e praticados constantemente como se fossem um mantra num momento de oração, individual ou compartilhada. 

Esses valores deveriam ser carregados e consagrados a ponto de se tornarem um estigma e não apenas ditos em frases bonitas, com imagens floridas ao fundo, e esquecidas assim que uma nova figura escrita surgisse a nossa frente.

Em Uma herança de amor, a autora Lycia Barros nos faz lembrar, através de exemplos específicos ou variados, que é possível, sim, ainda se deixar sentir todas as sensações boas que esses sentimentos, quando empregados, nos trazem.

...”Daquele momento em diante, ela sabia que tinha tudo que precisava em sua vida. Fora finalmente perdoada... Só precisava saber a verdade”... Pag. 279

Uma herança de amor é um romance leve, mas tão cativante que é difícil largá-lo, enquanto não chegamos ao final, e ainda mais impossível lê-lo apenas uma vez, como se os exemplos fictícios nos fizessem uma afronta nos questionando se seríamos capazes de ao menos nos demovermos do nosso mundo individualizado, por um único momento que seja, e deixarmos que o amor e o perdão norteiem nossos sentimentos por algum tempo.

Na verdade parece até que é um chacoalhão, um breve e potente aviso de que estamos nos ocupando demais com coisas amenas e nos esquecendo do que realmente importa na relação humana.

Dei boas risadas com alguns trechos onde a protagonista, urbana da gema, se mete em algumas situações na pequena cidade, as quais seriam praticamente impossíveis passar por elas vivendo na correria de um grande centro. E confesso que chorei, quando os desentendimentos a levaram a caminhos doloridos que lhe machucaram os sentimentos verdadeiros que sentia.

Com delicadeza o romance aparece, a amizade impera, e a história é coroada com lembretes sutis e instigantes que nos faz pensar, se estamos agindo certo ou negligenciando alguma parte de nossas emoções em favor de um ego exacerbado pelo consumismo e pela prepotência.

Decididamente, é um livro que deveria ser usado como lembrete. Que deveria ser lido a cada dois meses até sermos capazes de decorarmos alguns trechos e usá-los quando nossas decisões pessoais estivessem a ponto de cometer um dano emocional em alguém ou, pior ainda, em nós mesmos.

Lu. Franzin


*Nota. - Todas as resenhas expostas nesse blog são de minha autoria e responsabilidade, elas expressam a “minha” opinião pessoal a respeito dos livros lidos. Não é meu interesse denegrir a imagem de nenhum autor, e nem influenciar os novos leitores de maneira negativa ou positiva a adquirirem ou se absterem de alguma obra.

domingo, 30 de setembro de 2012

O Inverno das Fadas - Resenha




O Inverno das fadas.
Autor: Carolina Munhóz
Editora: Leya- Casa da Palavra
Categoria: Literatura Nacional / Romance – Ficção - Fantasia

Sinopse:

Existem pessoas normais em nosso planeta. Homens e mulheres simples que nascem e morrem sem deixar uma marca muito grande ou mesmo significativa na humanidade. Mas existem outros que possuem talentos inexplicáveis. Um brilho próprio capaz de tocar gerações. Como eles conseguem ter esses dons? De onde vem a inspiração para criar trabalho maravilhosos? São cantores com vozes de anjos, artistas com mãos de criadores e escritores imortais. Existe uma explicação para isso. Sophia é uma Leanan Sídhe, uma fada-amante, considerada musa para humanos talentosos. Ela é capaz de seduzir e inspirar um homem a escrever um best-seller ou criar uma canção para se tornar um hit mundial. A fada dá o poder para que a pessoa se torne uma estrela, um verdadeiro ícone, ao mesmo tempo em que se aproveita da energia do escolhido para alimentar-se. Causando loucura. E MORTE.

Resenha:

Há algum tempo ensaio para fazer uma resenha a respeito desse livro, que li duas vezes afim de que pudesse entender realmente o que a autora quis passar com a história e me sinto frustrada por não ter encontrado a mensagem subliminar do texto.

A grande quantidade de referências aos ídolos de nossa geração acabou por sufocar a narrativa, retirando o espaço que poderia ser empregado aos outros personagens da história que, talvez, pudessem ter sido aproveitados de uma maneira muito mais interessante quando surgiram no contexto, me refiro aqui ao padre e a garota gótica.

Por ser uma história fantasiosa, me incomodou a grande semelhança entre o mundo real e o imaginário, por vezes até me questionei se o mundo das fadas não era ali mesmo na esquina, onde fica o posto de combustível. E uma fada com nome de “Sofhia” não remete muito ao sentido imaginário como, particularmente acredito, deveria ser. Não possuo grandes referências às fadas e a busca por esse livro estava centrada na minha vontade de adquirir um pouco mais de conhecimento sobre esse tema mesmo sendo imaginário, mas decidi por conta da leitura dessa obra ficar com a imagem da Tinker Bell, para não macular o pouco que sei sobre o assunto.

As Leanan Sídhes, ou Fada Amante, podem ter seu fundo de verdade no imaginário das pessoas, mas não me convenceram de sua força em influenciar os dons artísticos dos humanos talentosos citados. E a forma com que a Fada Sophia, uma Leanan Sídhes, conseguia manter-se viva através da energia que roubava dos seus pupilos, enquanto lhes instigava no desenvolvimento de seus dons, deixou o texto pesado, e a meu ver não funcionou como ferramenta para apimentar a situação.

Talvez tenha faltado um pouco de sutileza no desenvolvimento das cenas de sexo, mesmo o uso do homossexualismo poderia ter sido tratado de forma um pouco mais generosa, e não apenas como um trunfo, que contribuiu para deixar o texto um tanto ambíguo.

Afora esses detalhes que me incomodaram um pouco, a leitura até que flui bem, não há a repetição de ideias e quando Sophia está na presença de Willian, sua mais recente vítima, é palpável o sentimento que contradiz sua função irrefutável com o amor que ela sente por Willian. Em alguns momentos, parece até que ela o ama muito mais, do que ele a Sophia.

Quando o sofrimento dela é descrito, quase podemos sentir raiva de sua condição natural de mensageira da morte. Que, aliás, representada por outra fada, me deixou irritada com sua pretensão maldosa. E vibrei quando a Fada da Morte perdeu sua prepotência para o Alquimista, e foi ludibriada descaradamente por ele! 

Gostei muito do uso de nomes das musicas estrangeiras como títulos dos capítulos, e a tradução dos mesmos se encaixa com o que poderemos esperar da continuação do texto.
 
Acredito que a autora tem grande potencial evolutivo nesse meio literário, e aguardo descobrir novas especulações a respeito de um novo projeto. E vou tentar acompanhar seu desenvolvimento frente aos novos trabalhos que ela venha a lançar.

Lu. Franzin



*Nota. - Todas as resenhas expostas nesse blog são de minha autoria e responsabilidade, elas expressam a “minha” opinião pessoal a respeito dos livros lidos. Não é meu interesse denegrir a imagem de nenhum autor, e nem influenciar os novos leitores de maneira negativa ou positiva a adquirirem ou se absterem de alguma obra.