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terça-feira, 6 de novembro de 2012

A menina que roubava livros - Resenha.



A menina que roubava livros.
Autor: Markus Zusak
Editora: Intrínseca
Categoria: Literatura Estrangeira / Ficção / Guerra / Alemanha Nazista

Sinopse:



Entre 1939 e 1943, Liesel Meminger encontrou a Morte três vezes. E saiu suficientemente viva das três ocasiões para que a própria, de tão impressionada, decidisse nos contar sua história, em "A Menina que Roubava Livros", livro há mais de um ano na lista dos mais vendidos do "The New York Times". Desde o início da vida de Liesel na rua Himmel, numa área pobre de Molching, cidade desenxabida próxima a Munique, ela precisou achar formas de se convencer do sentido da sua existência. Horas depois de ver seu irmão morrer no colo da mãe, a menina foi largada para sempre aos cuidados de Hans e Rosa Hubermann, um pintor desempregado e uma dona de casa rabugenta. Ao entrar na nova casa, trazia escondido na mala um livro, "O Manual do Coveiro". Num momento de distração, o rapaz que enterrara seu irmão o deixara cair na neve. Foi o primeiro de vários livros que Liesel roubaria ao longo dos quatro anos seguintes.E foram estes livros que nortearam a vida de Liesel naquele tempo, quando a Alemanha era transformada diariamente pela guerra, dando trabalho dobrado à Morte. O gosto de roubá-los deu à menina uma alcunha e uma ocupação; a sede de conhecimento deu-lhe um propósito. E as palavras que Liesel encontrou em suas páginas e destacou delas seriam mais tarde aplicadas ao contexto a sua própria vida, sempre com a assistência de Hans, acordeonista amador e amável, e Max Vanderburg, o judeu do porão, o amigo quase invisível de quem ela prometera jamais falar. Há outros personagens fundamentais na história de Liesel, como Rudy Steiner, seu melhor amigo e o namorado que ela nunca teve, ou a mulher do prefeito, sua melhor amiga que ela demorou a perceber como tal. Mas só quem está ao seu lado sempre e testemunha a dor e a poesia da época em que Liesel Meminger teve sua vida salva diariamente pelas palavras, é a nossa narradora. Um dia todos irão conhecê-la. Mas ter a sua história contada por ela é para poucos. Tem que valer a pena.


Resenha:

Há alguns dias vi uma notícia que me deixou ansiosa, apreensiva e empolgada.

Pelo que a mídia divulgou a história de Markus Zusak vai ganhar as telas do cinema. E se, o trabalho dos atores, diretores e afins, for tão condizente com o que conta o livro, preparem-se manteigas derretidas de plantão:  vai ser um "chororo só!". E não se esqueçam de abastecer o depósito de lenços descartáveis. Então, frente a essa informação, resolvi revirar a minha estante em busca dessa história que me fez chorar, rir, chorar mais uma vez, e mais uma vez.

Desculpem, mas sou manteiga derretida! Chorei antes de o Titanic afundar, sabendo que ele ia afundar, e que o Jack ia morrer, e que não tinha outra saída, durante as quatro vezes que assisti ao filme.

Sempre tenho receio de me entregar a livros que nos remetem a fatos históricos verídicos e que marcaram as lembranças da humanidade com tragédias e maldades insanas, que estão além da imaginação humana, mas quando li a frase na contracapa do livro: “Quando a Morte conta uma história, você deve parar para ler.”, e que substitui a sinopse que é comumente colocada li, não pude me conter e embarquei nas letras traçadas de Zusak.

“Às vezes eu chego cedo demais. Apresso-me, e algumas pessoas se agarram por mais tempo à vida do que seria esperável...”  Pag. 15 – Morte

O narrador da história é a própria Morte, e ela conta a história de Liesel, a Menina que roubava livros. E essa criatura tão temida da vida humana, se mostra tão complacente com a garota, que se você, leitor, tivesse a chance a convidaria para um café da tarde e ouviria que o medo que sentimos por ela é recíproco. E se encantaria com a discrição que ela faz das cores que surgem no céu quando uma alma parte dessa vida.

Liesel Meminger é uma criança que sem ao menos perceber, conseguiu encantar e enganar a Morte algumas vezes, e viveu as restrições e os horrores da Alemanha Nazista ao lado de Rudy. Mas quem acha que isso vai ser uma avalanche de sugestões sombrias engana-se profundamente.

É o olhar de uma garota, é o convívio com as pessoas ao redor dela e a maneira leve e diferente de tratar o amor, com o pouco que esse mesmo amor poderia oferecer a ela.

A história é narrada de forma cadenciada, então uma simples ida até a escola pode demorar um tempo grande, mas a meu ver, são nesses momentos que percebemos o sentimento cru e paupável dos personagens, os lugares, cheiros, sabores e cores da Rua Himmel, e da Alemanha naquela época.

Por todo decorrer do texto oscilamos entre tristeza e alegria. O coração empolgado do leitor fica apertado em certas partes, e em outro momento, um sorriso largo aparece despretensiosamente em nossa face.

Se pudesse resumir todo o livro em apenas uma palavra, diria que é “puro”.

Puro, como a neve, antes de ser manchada pelas facetas escuras e cruéis da guerra.

Puro, como a descoberta das letras, através dos livros roubados.

Puro, como somente o coração de uma criança inocente, pode ser.


Lu. Franzin

*Nota. - Todas as resenhas expostas nesse blog são de minha autoria e responsabilidade, elas expressam a “minha” opinião pessoal a respeito dos livros lidos. Não é meu interesse denegrir a imagem de nenhum autor, e nem influenciar os novos leitores de maneira negativa ou positiva a adquirirem ou se absterem de alguma obra.