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quarta-feira, 6 de março de 2013

O Último Dia Antes do Fim do Mundo - Resenha



O Ultimo Dia Antes do Fim do Mundo
Autor: Diversos
Editora: Novo Século
Categoria: Literatura Nacional / Ficção / Contos Brasileiros

Sinopse:
Vinte visões sobre o último dia antes do fim do mundo. Uma antologia emocionante e surpreendente, que vai fazer você refletir sobre os piores medos, angústias e valores do ser humano. Contos surpreendentes da primeira à última linha que vão abalar suas estruturas, e talvez mudar seus conceitos sobre este suposto cataclismo.

Resenha:

Ganhei este livro de uma das autoras que participam dessa antologia, a Glau Tambra, além de incluir o autógrafo de alguns dos autores com uma dedicatória muito especial, o que me vez querer devorá-lo o quanto antes.

Esta obra é uma compilação de vários novos autores, organizada pela escritora Lycia Barros, e que tem como objetivo mostrar a ideia de cada um deles a respeito do Fim do Mundo, que por sinal ainda vai demorar um pouquinho para chegar. Portanto, nada mais justo do que refletir minha opinião sobre cada conto inserido na obra, e não generalizar ela num contexto total, como é feito quando um livro é de um único autor.

1° e 20° Contos.  Sollaria Alfa – Sollaria Ômega (Fábio Abreu)

A antologia começa com o conto de Fábio Abreu, e finda na continuação desse primeiro conto do mesmo autor. Sollaria Alfa e Sollaria Ômega me tirou o folego! Sabe aquela sensação de “Ai meu Deus! E agora?” Foi esse o sentimento que presenciei enquanto o lia. O autor trabalha o passado e o presente com sutileza, levando a realidade e a fantasia equilibradas, enquanto decorre sobre os acontecimentos e culmina em um final estarrecedor e surpreendente. Emocionei-me com a história de Isabella e Jean, a ponto de lê-la três vezes, chorar por três vezes, até que consegui me libertar dele e seguir para o próximo conto.

2° Conto – O Preço da Fama (Robson Gundim)

Robson Gudim, mais uma vez me encantou com sua escrita. O autor já tem um livro publicado (Entre o Céu e o Mar) e tornou a firmar seu conhecimento sobre a nossa língua materna, com palavras pouco conhecidas no nosso dia a dia. O conto é chocante, e tem uma mensagem implícita sobre os caminhos que tomamos na busca de um sonho, o quanto nos dedicamos e qual o preço que temos que pagar para alcançar os nossos objetivos. O preço de Lucinha foi alto... Muito alto!

3° Conto – O Fim do Mundo de Ava (Lucas Odersvänk)

Esse conto me tocou profundamente por se tratar da visão infantil sobre o acontecimento. Apesar das grandes cicatrizes da protagonista, sua coragem sobressaiu-se frente a situação. Surpreendente é a palavra para explicar o que o conto nos mostra. Com ideias que nos fazem pensar no óbvio, a reviravolta que se apresenta nos últimos parágrafos provoca uma onda lasciva de choque e alivio ao mesmo tempo.

4° Conto – Lírios Para Antonieta (Carolina Cequini)

Esse conto não é tão surpreendente quanto os anteriores, mas o grande diferencial esta na profundidade dos sentimentos que assolam os personagens e na força que esses sentimentos permeiam a escolha de cada um deles. Com uma escrita leve e concisa, a autora nos transporta ao questionamento constante que nos assola constantemente: “o que eu faria?”.

Nossa! Ainda estou no quarto conto e já me sinto subjugada pelo peso dos sentimentos e expressões emocionais que os autores frisaram em seus contos. Impossível segurar as lágrimas que teimam em verter quando me faço o questionamento: “Se eu tivesse no lugar dos personagens, faria o mesmo?”.  (Podem me culpar por ser uma manteiga derretida! Sou mesmo!).

5° Conto – Uma Matéria Inesperada (V. R. Spilman)

Esse conto é um exemplo de uma nova chance. Uma oportunidade de mudar algo ou alguma coisa que fizemos, ou deixamos de fazer, e que mais tarde torna-se um mar de arrependimentos sobre nossos ombros. O autor transforma em palavras e exemplos a única coisa que nunca poderemos mudar: a consequência de nossas escolhas.

6° Conto – O Menino que Viu o Fim do Mundo (Marcelo Maropo)

Mais uma vez as lágrimas sucumbiram a minha vontade de prendê-las em meus olhos. O autor deu um jeito de induzir essa leitora que vos fala a crer que a fantasia permeava grande parte do conto. Mas logo ao decorrer da escrita uma realidade tão humana, pode significar o fim do mundo de algumas pessoas. Marcelo prova no seu conto que algumas responsabilidades são muito mais difíceis de carregar do que outras.

7° Conto – Despertar (Paula Scaf)

Esse conto me pegou de jeito! Com tiradas de bom humor, a autora trouxe uma perspectiva diferente, aliviando o peso do tema o Fim do Mundo. Com um jeito debochado e até um pouco sarcástico, Paula justifica sua escrita com a premissa de incluir elementos fantasiosos misturados aos sentimentos reais. Gostei muito desse ultimo dia antes do fim do mundo.

Agora pausa para um copo de água, um café fresco e uma esticadinha nas pernas. O conto de Paula Scaf aliviou a tensão. Sigamos em frente.

8° Conto – O Ultimo Pôr do Sol (Glau Tambra)

Chocante e surpreendente! A autora nos faz crer numa realidade fantasiosa e depois nos açoita com uma verdade avassaladora. Com sutileza ela conduz o leitor a um final quase previsível e somente no ultimo paragrafo, revela a condição real da protagonista. Não sei se fiquei mais assustada ou mais inconformada. A autora me enganou direitinho! Esplendido!

9º Conto – Amor em Meio a Guerra (M. J. Atalaia)

Esse conto trata-se do fim do mundo pessoal, aquele que acontece dentro de nós mesmos quando somos traídos por pessoas que julgamos conhecer. O autor trabalhou o conto dentro de um cenário real que assolou a história da humanidade, e mostrou que as vezes é melhor aceitar o que temos no presente, do que mergulhar no incerto, apenas sonhando o que poderá ser. Os riscos devem ser corridos sim, mas antes devem ser analisados sobre todas as óticas. Muito bom!

10º Conto – Cinza (Fernanda Brandalise)

Esse conto foi o que mais chegou perto das minhas ideias de como deveria ser o fim do mundo. A autora apresenta especulações reais a respeito do que as grandes potências mundiais podem ser capazes num futuro incerto. E a profundidade das emoções e questionamentos do protagonista nos leva a rever nossos próprios sentimentos em relação ao hoje e ao amanhã. Intrigante e questionador.

11º Conto – O Ultimo Dia (Augusto Assis)

Esse conto despertou meu lado vingativo. (E não venha me dizer que existem pessoas que não pensam em vingança, ao menos uma vez você já desejou dar o troco em algo ou alguém!). “Bem Feito!”, disse sozinha ao terminar de lê-lo. Ainda se o protagonista fosse filho de João do Santo Cristo, até que poderia pensar em absolve-lo, mas filho do Jeremias? Ah, não! O autor traçou um perfil bem comum presente na sociedade atual, e deu um final a trama que muitos irão refutar, mas eu não faria diferente!

Preciso dar uma pausa e dizer que os contos estão me fazendo perceber sentimentos contraditórios e obscurecidos dentro de mim mesma. Dor, perda, raiva, vingança estão entre os piores. Amor, fé, esperança e compaixão estão pareados aos sentimentos ruins, como em uma tabela de estatística. Continuemos então...

12º Conto – A Integração (Adriana Ramiro)

Esse conto me causou com um grande problema. A autora deixou em aberto a interpretação do final da história. Tenho uma leve intuição do que aconteceu com a protagonista, mas a duvida sobre minhas interpretações podem não ser a mesma proposta pela autora. Adorei o fato de ela me deixar essa brecha, de ser a autora do ultimo paragrafo. O meu final está decidido, e por Helena, vale criar um perfeito “the end”.

 13º Conto – Tempestade de Dezembro (Maud Epascolato)

Como é marca registrada dessa autora ela consegue deixar nossos nervos a flor da pele! O que mais pode chocar do que as tragédias vividas por uma criança? Com o musculo cardíaco a galope, posso gaguejar que Maud mais uma vez mostrou e provou por escrito seu talento na linha literária que escolheu para escrever.

14º Conto – Amor Antes do Fim (Cristiane Broca)

Ah! Esse conto é lindo, leve e doce! Não posso renegar minha preferencia pelo copo de melado. Um romance antes do fim do mundo é como um sopro de vida quando as esperanças já não existem mais. Adorei a historia de Cristiane, e sorri como boba com um suspiro de “Ai que lindo!” quando cheguei ao final. O conto é encantador e dita que devemos nos ater ao hoje, saciar o amor que carregamos escondido, sem almejar pelo amanhã.

15º Conto – Será o fim? (M. F. Venceslau)

Que maravilha! Mais uma dose de glicose! O conto de M. F. Venceslau mostra que a cada batalha pessoal, a cada encontro casual com o amor podemos sim, fazer dele nosso ultimo dia. A casualidade nem sempre é tão “casual” como se acredita ser, e que podemos encontrar algo de bom e grandioso numa simples coincidência. A autora define o fim do mundo com a magica que todos nós almejamos para nós mesmos: o amor, cumplice e acolhedor.

16º Conto – Depois do fim (Michele Mourão)

Este conto me deixou confusa. A autora quis colocar vários protagonistas na história e acabou por deixar apenas a finalização vaga de cada um deles. Talvez se ela tivesse um pouco mais de espaço o conto poderia ter sido mais bem encaixado no contexto, mas a apresentação de várias ideias sobrecarregou a história e não foi possível finalizar cada uma delas como elas mereciam ter sido feitas.

17º Conto – O Inicio do Fim (Michel Amorim)

Que criatividade! Tudo bem que o conto tem um “Q” de Resident Evil, mas o fato de ligar histórias do nosso país e transformá-las em um conto fantasioso sobre o fim do mundo, realmente foi um surto genial de imaginação! E o final então? Realmente foi o inicio do fim!

Só mais uma respirada, mais uma esticada nas pernas que agora faltam apenas três contos para o fim... (subjetivo esse comentário não?)

18º Conto – No Fim a Verdade Vem a Tona (Elen Queiroz)

Realmente o nome do conto faz jus a sua descrição. Que história mais linda! O amor e a redenção dos protagonistas frente a seus atos foi tão sublime e ao mesmo tempo tão forte que levou essa humilde leitora que vos fala às lagrimas, mais uma vez.

19º Conto – O Encontro Final (Pâm Vital)

Esse é um conto que merecia mais espaço. Talvez mais umas duzentas páginas para que a autora pudesse demonstrar toda a carga emocional que ela resumiu em poucos parágrafos. Por esse fato achei o conto dinâmico demais quando a historia deveria ter sido tratada como se estivéssemos comendo algodão doce: devagar, de pouquinho e sentindo o açúcar se formar na ponta da língua.

20º Conto – O Garoto dos Meus Sonhos (Duda Oliveira)

Uma graça de conto! Acho que toda garota nessa vida já teve o seu “garoto dos sonhos”. Lembrei-me do meu lendo o conto, e uma onda nostálgica me acertou. Ainda bem que casei-me com ele! Esse é um conto que também merecia mais algumas dezenas de páginas.

Bom, o livro todo em si foi surpreendente! Cada autor expressou sua visão sobre o fim do mundo e como não poderia ser diferente, muitos sentimentos bailaram entre os contos como se fossem um lembrete de que muitas vezes nos deixamos levar por tantas coisas pequenas e acabamos por deixar de lado o que realmente importa.

Alguns autores viram o fim do mundo como um sonho, outros com um pouco de realidade e há aqueles que usaram da fantasia para criarem seu próprio cenário apocalíptico. Em uma antologia o comparativo que fazemos entre cada um deles é inevitável, mas posso afirmar com grande prazer que cada um deles deixou uma marca, um lembrete em mim, de que não precisamos esperar pelo “Ultimo dia Antes do Fim do Mundo” para dizer: “Eu ajudo você”, “Obrigada” e principalmente “Eu te Amo!”.

 Termino essa resenha (gigantesca!) com um sentimento de expectativa por descobrir novos trabalhos desses novos autores, que com toda certeza estão escrevendo seus nomes na história da nossa literatura. E com o desejo de que o reconhecimento lhes bata a porta incentivando-os a continuar nessa caminhada tão difícil que é conseguir um espaço no meio literário nacional. Parabéns a todos!

Lu. Franzin

*Nota. - Todas as resenhas expostas nesse blog são de minha autoria e responsabilidade, elas expressam a “minha” opinião pessoal a respeito dos livros lidos. Não é meu interesse denegrir a imagem de nenhum autor, e nem influenciar os novos leitores de maneira negativa ou positiva a adquirirem ou se absterem de alguma obra.

10 comentários:

  1. Oi Lu!!! Tudo bem que te mando tomar uma chuverada, rsrsrsrs. Mas também querer que a gente se desidrate aos prantos é judiação, né??!?!?!?! Você já havia me dito sobre esse livro, e eu já tinha ficado com vontade de ler. Só que sua resenha fez eu querer ler ontem... Dica anotada e será seguida. bjs
    Eykler

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  2. Linda resenha Lu Franzin. Obrigado pelo carinho e esperamos que os novos talentos da literatura nacional possam ganhar o mundo. Bjo

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  3. Amei a resenha Lu! Também senti coisas parecidas com as que vc sentiu ao ler cada conto desse livro tão especial. Que todos os leitores se entreguem como você a essa emocionante leitura!

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  4. Oi Lu.

    Sei quando for ler este livro vou sentir coisas bem parecidas com as que você sentiu, pois creio que somos choronas...rsrrsrs..e sei também que si tratando de "Fim" as coisas mudam muito....os pontos de vistas são diferentes e as pessoas acabam querendo ajudar a quem elas nunca nem ao menos disseram um "oi" e isso tratando se do Fim é bem tarde.....Bom sei que devemos amar mais, ser mais felizes em meio as nossas dificuldades e dores, feridas e marcas que nunca se apagaram....Bom acho que já fiz confusão...rsrsrrs


    A resenha esta linda e gigantescas..rsrrs
    Beijokas!

    Fê!

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  6. LU, que resenha linda! Parabéns!

    Assinado: Marcelo Maropo

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  7. Nossa!! Gostei muito da resenha. Parabéns, Lu! Que bom que conseguimos atingir seu coração. Beijos.

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  8. Lu Franzin, demais sua resenha!!! Vc soube aproveitar a leitura de cada conto na sua real essencial. Parabéns. Muito obrigado pelo carinho... bjs

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  9. Eu li esse livro Lu e os contos são de muita criatividade, alguns ficaram mais nítido na minha memória uns por chocar como "Preço da Fama" outros por me divertir e aquele dos Zumbis achei bárbaro e no fim assim como no começo, uma e triste história de amor... Sua resenha ficou excelente e concordo com vc sobre o conto "O último dia"mas mesmo com a vingança realizada contra Adriell e diga de passagem bem bolada, no fim acho que ele fora salvo pelo arrependimento. rs
    PS: Adriell é o nome do meu filho. rs
    Bjs
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