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quarta-feira, 27 de março de 2013

Teu Silêncio, Minha Resposta - Resenha


Teu silêncio, Minha resposta.

    Minha primeira resenha de um conto, e já comecei com chave de ouro!
 
    O nome desse conto de Fábio Abreu não poderia ser mais apropriado do que qualquer outro. Faz jus com maestria ao que remete a história de Mayara e Cristian. Não vou ficar explicando os detalhes do enredo, pois estaria revelando partes do conto que deve ser lido e sentido a cada novo parágrafo.

    Fábio Abreu é um jovem e talentoso escritor cheio de imaginação, que deu seus ares da graça com um conto magnifico que inicia e encerra a antologia O Ultimo Dia Antes do Fim do Mundo, lançada recentemente (tem resenha no blog!).

    Muitas vezes o medo é o maior inimigo do ser humano. E esse mesmo sentimento é capaz de privar a nós mesmos de buscarmos nossas próprias realizações. Cristian passou quase toda a vida com medo de expor seus sentimentos a Mayara, e ela tinha o medo de contrariar os pais controladores. Isso fez com que Cristian sofresse o amor platônico por ela por tanto tempo, que quando resolveu dizer-lhe a verdade sobre seus sentimentos, surpreendeu-se com a resposta afirmativa de Mayara.

    Ela por sua vez, deixou que suas decisões fossem subjugadas pelo domínio possessivo e controlador dos pais, abrindo mão até de suas escolhas profissionais em favor da vontade dos seus genitores.

    Cristian tentou lutar, a sua maneira. E Mayara tentou fazer parte dessa batalha.

    O custo das escolhas de cada um dos protagonistas mostra que não havia nem em um, e menos ainda no outro, uma força maior que pudesse ser capaz de destruir as barreiras impostas pelo destino.

    E me pergunto agora, quantas Mayaras e quantos Cristians existem a solta, e julgam-se incapazes de merecerem o futuro tão almejado, deixando-se serem carregados pela vida como se estivessem a deriva numa correnteza, sem caminharem com suas próprias pernas.
    
    O conto de Fabio Abreu mostra uma história simples e surpreendente, mas cheia de sentimentos poderosos como o amor e o medo, como a esperança e o desalento. Tantos outros grandes sentimentos são arrastados pelos personagens, que nos saltam aos olhos o amor, a dor e a agonia que o desenrolar do conto vai nos apresentando.

    Não há como negar que as guinadas do destino e da vida que nós mesmos traçamos pode mudar de maneira significativa o que seremos num futuro a chegar. Somos responsáveis por nossas escolhas, mas muitas vezes elas não dependem somente de nós mesmos. E na grande maioria de tais escolhas, acabamos por aceitar a comodidade do certo e esperado, escondendo-nos da luta por defender nossas vontades.


    Deixamos de lutar, de conversar e de tentar remediar. Deixamos a batalha entregue por medo, por comodidade e por fraqueza.

    Os sonhos não nos são dados de maneira fácil, gentil e em uma bandeja de prata. Eles surgem cercados de espinhos e nossa função é ir tirando um a um. Exaurindo cada pequena ponta do veneno, para que o tesouro de nossa satisfação nos seja presenteado com nossos esforços.

    Assim é na vida, e assim é no amor.

    Mayara e Cristian são exemplos de muitas vidas. Talvez não igual e fiel a relação deles, talvez mais amenas ou até mais dolorosas, mas com o mesmo padrão de sentimentos pesados que essas muitas vidas enfrentam enquanto buscam seu próprio sonho.

    Teu Silencio, Minha Resposta, me deixou com uma certeza que tento ao máximo de minhas forças usar a cada instante da minha própria vida: Nunca deixar de falar, de pensar e de tomar minhas próprias decisões! Ouvir sim, muitas opiniões, muitos conceitos diferentes dos meus, mas a decisão maior, o bater do martelo, o ultimo ponto final deve ser meu, independente do que virá a seguir, as consequencias e os louros são de minha inteira responsabilidade.



Segue abaixo o contato do autor pelo Facebook:



Lu. Franzin

*Nota. - Todas as resenhas expostas nesse blog são de minha autoria e responsabilidade, elas expressam a “minha” opinião pessoal a respeito dos livros lidos. Não é meu interesse denegrir a imagem de nenhum autor, e nem influenciar os novos leitores de maneira negativa ou positiva a adquirirem ou se absterem de alguma obra.