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sábado, 3 de agosto de 2013

Entre o Céu e o Mar - Nos Montes da Inocência - Livro I




Entre o céu e o mar – Nos montes da inocência – Livro I
Autor: Robson Gundim
Editora: Modo

Sinopse:

Annette Legrand - descendente de ingleses - imigra para os Montes Apuseni ainda quando criança, para viver nos ermos campestres longe dos rigores da guerra. Ela acaba conhecendo e vivendo junto a um garoto chamado Richter Belmont, um orfão adotado pelo romeno Loweed Schwartz. Com o passar dos anos, Annette e Richter descobrem que irão se separar; ela é levada para um colégio interno na grande Bucareste e Richter fica sozinho no rancho. Doze anos depois, formada e transformada numa deslumbrante mulher, Annette Legrand regressa ao território que marcou a sua infância, redescobrindo o marcante e profundo sentimento que uniu a sua vida à de Richter. Contudo, o que Richter não sabe, é que Annette noivou-se com Nicholas Willefort, um nobre herdeiro de um conde, com quem Annette irá se casar...

Resenha:

      Falar do trabalho de Robson Gundin não é uma das tarefas mais simples. Acabo por me tornar suspeita e preciso esforçar-me para ater-me ao contexto de sua obra e não me rasgar em elogios sobre esse promissor escritor “NACIONAL”, que me prende em nós sobre sua talentosa escrita.

      Em sua mais recente obra, “Entre o Céu e o Mar – Nos Montes da Inocência – Livro I”, Robson nos leva ao inicio da história contada em Entre o Céu e o Mar, as origens mais detalhadas da vida de Annette e Richter. Leva-nos ao rancho onde o amor dos dois nasceu e foi relembrado depois de anos de distanciamento entre eles, além de incluir elementos desconcertantes e surpreendentes da verdadeira história de Richter.

      Um mistério ronda o passado e o presente de Richter, algo a mais que os segredos ocultos sobre a história de seu pai biológico, algo sobrenatural e que permeia a essência viva desse personagem instigada pela expressiva marca em formato de cruz que ele leva no peito. Surge então um inimigo que irá mudar o rumo da vida de Richter, ele terá que descobrir muito mais sobre seu passado, para traçar os motivos do seu presente e buscar o caminho para seu futuro.

      Sobre Annette, percebemos os motivos que a levaram a tornar-se uma corsária. Sua volta ao rancho depois de anos sendo educada sobre as regras da corte, e com uma futura cunhada e um futuro noivo, Nicholas Willefort, atados pelas convenções a ela, Annette sente-se sufocada pela vida que lhe foi imposta, e não entende o mal que está causando a si mesma. Mas quando sua alma se encontra livre sobre o lombo de um cavalo, e ao lado de Richter, ela percebe que estaria aprisionando seu espirito livre, ousado e destemido sobre as regras e normas de um lugar que nunca seria capaz de seguir.

      Adorei a menção a Vlad Dracun, como a lenda original do tirano e temível empalador sanguinário, que tornou-se o Conde Drácula de nossas histórias mais fantasiosas.

      “... Mãos agarradas; vestidos redondos e frondosos circundando incansáveis pernas femininas e saltos para frente e para trás, em meio ao disparar dos versejes e gritos ditosos dos homens...”. (quote).

      Olha se isso não é magica em forma de escrita!!? Quase saí dançando na companhia dessas pessoas!

      Senti falta de alguma menção ao irmão de Annette, e sobre seu tio corsário. Mas entendi que o Livro I realmente é a base do que está em Entre o Céu e o Mar. Reverencia especificamente a historia de Annette e Richter, e (ainda bem!) que o autor nos reservou uma continuação dessa tão distinta história!

      Nos Montes da Inocência – Livro I, não tem tanta ação quanto Entre o Céu e o Mar. É a historia inicial, é a mostra de tudo o que levou os personagens a se transformarem. Os motivos que os levaram a mudarem seus destinos e seguirem por um caminho incerto em busca de um futuro mais incerto ainda.

      Muitos mistérios ainda estão por vir. Ainda há grandes segredos a serem revelados e a história de Annette e Richter ainda tem um longo caminho a percorrer.

      Mais uma vez o autor nos surpreende com seu conhecimento da língua portuguesa, usando de referencias e palavras que engrandece o nosso conhecimento, e nos faz lembrar um querido e esquecido amigo: o dicionário!!!

      Robson Gundim tem uma maneira toda peculiar de unir as palavras, transformando-as não apenas em uma história fantástica e cheia de aventuras, mas também em pura e embriagante poesia corrida.


Lu. Franzin


*Nota. - Todas as resenhas expostas nesse blog são de minha autoria e responsabilidade, elas expressam a “minha” opinião pessoal a respeito dos livros lidos. Não é meu interesse denegrir a imagem de nenhum autor, e nem influenciar os novos leitores de maneira negativa ou positiva a adquirirem ou se absterem de alguma obra.